Atualizado em 26 de outubro de 2026. Projeções econômicas: Boletim Focus do Banco Central de 19/10/2026. Dados de reajuste: ANS. As fontes estão listadas ao final do texto.
Passada a eleição, a pergunta que fica para quem empreende é bem prática: como fechar o orçamento de 2027 com o caixa protegido? O resultado foi anunciado pelo TSE no domingo (25), com a reeleição do presidente Lula por 51,79% dos votos válidos, e o país já sabe quem governa até 2030.
Para o empresário, o recado de 2027 já estava claro antes da apuração. Juros ainda altos, crescimento mais lento, a reforma tributária saindo do papel e uma disputa cada vez mais acirrada por gente boa. O próximo ano vai exigir mais de quem paga a folha, gera emprego e carrega o risco do negócio.
A boa notícia é que existe margem para agir agora, antes de janeiro. E um dos contratos com mais espaço para isso costuma ser justamente um dos maiores da folha: o plano de saúde.
O que o cenário de 2027 já sinaliza para o empresário
No Boletim Focus de 19 de outubro, os economistas consultados pelo Banco Central reduziram a projeção de crescimento do PIB de 2027 para 1,32% e elevaram a inflação esperada para 4,32%, acima da meta de 3%. A Selic, hoje em 13,75% ao ano, deve terminar 2027 em 12%, segundo a mesma pesquisa. Na prática, o crédito continua caro e a receita tende a crescer devagar, o que deixa pouco espaço para custos que sobem acima da inflação.
Na frente tributária, 2027 é o ano em que a CBS passa a valer de fato e o PIS e a Cofins deixam de existir. Para quem está no Lucro Presumido, acaba o regime cumulativo que vigorou por décadas, e a escolha do regime precisa ser refeita com números. Já falamos sobre esse impacto no artigo Reforma tributária para empresas de serviços: você sabe quanto ela pode custar ao seu negócio?
E há a questão das pessoas. A Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, mostra que 80% dos empregadores brasileiros têm dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, acima da média global de 72%. Mesmo entre empresas com menos de dez colaboradores, o índice chega a 72%. Somado a isso, a PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 já passou pela Câmara e pela CCJ do Senado e aguarda votação em plenário. O setor produtivo já fez as contas: o presidente da CNI, Ricardo Alban, estima que a mudança pode elevar os preços entre 6% e 8% em média. Se aprovada, muitas empresas vão precisar reorganizar escalas e, em vários casos, contratar mais, justamente num mercado em que já falta gente.
Diante desse quadro, a FBN enxerga três frentes em que o plano de saúde pode trabalhar a favor da empresa em 2027: custo, tributação e retenção.
Primeira frente: revisar o contrato do plano de saúde para reduzir custos
O reajuste dos planos coletivos desacelerou em 2026, mas continua acima da inflação, e quem mais sente são as empresas menores. Segundo a ANS, nos primeiros meses do ano os contratos com até 29 vidas tiveram reajuste médio de 13,48%, contra 8,71% nos contratos com 30 vidas ou mais. Isso acontece porque os contratos pequenos são reajustados pelo pool de risco da operadora, um índice único calculado para toda a carteira de PMEs, que pouco tem a ver com o uso real da sua equipe.
É comum o empresário tratar o reajuste como algo inevitável e simplesmente pagar o boleto novo. Uma análise detalhada do contrato costuma revelar outra coisa. Entre os pontos que a FBN verifica estão:
- se o índice aplicado na renovação corresponde ao que o contrato e as regras da ANS permitem;
- se existem vidas ativas que já deveriam ter saído do plano, como desligados fora do prazo legal ou dependentes que perderam a elegibilidade;
- se o desenho do produto ainda faz sentido para o perfil do time, incluindo rede credenciada, abrangência, acomodação e coparticipação;
- como a distribuição por faixa etária vai pesar nos próximos reajustes;
- quais alternativas o mercado oferece hoje para um grupo com o mesmo perfil, inclusive em outras operadoras.
O objetivo dessa revisão é pagar o preço certo pela proteção certa, mantendo a qualidade que o colaborador valoriza. Em muitos casos, a economia vem de ajustes de desenho e de cadastro, sem troca de operadora. Em outros, a migração é o melhor caminho. O que define a decisão é a análise, e para quem quer chegar preparado à próxima renovação, vale também ler o nosso guia para manter o custo do plano de saúde previsível na renovação.
Segunda frente: usar a parte tributária a favor da empresa
O plano de saúde oferecido aos colaboradores pode reduzir o imposto da empresa, mas o efeito depende do regime tributário. Esse é um ponto que muita PME ignora, e por isso vale olhar com calma.
Para empresas no Lucro Real, o plano de saúde de empregados e dirigentes é despesa operacional dedutível. O valor reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desde que a despesa seja necessária, usual e normal à atividade e esteja bem documentada. O plano dos sócios entra nessa conta quando faz parte do plano coletivo estendido aos funcionários.
No Simples Nacional e no Lucro Presumido, o imposto é calculado sobre a receita, então o plano não reduz o tributo a pagar. Nesses regimes, a vantagem está no preço: o plano contratado pelo CNPJ tende a custar menos do que planos individuais com a mesma cobertura.
Do lado do colaborador, a parcela do plano que ele mesmo paga, por desconto em folha ou coparticipação, pode ser deduzida na declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. É um ganho que poucos funcionários conhecem e que aumenta o valor percebido do benefício.
Para 2027 existe uma novidade importante. Com a reforma tributária, a regra geral é que o plano de saúde não gera crédito de CBS e IBS para a empresa que o contrata. A exceção prevista na Lei Complementar 214/2025 vale para planos concedidos a empregados e dependentes em decorrência de acordo ou convenção coletiva de trabalho. A Lei Complementar 227/2026 flexibilizou essa exigência para vale-refeição, vale-alimentação e vale-transporte, mas manteve a condição para o plano de saúde. Além disso, o crédito é proporcional à parte que a empresa efetivamente custeia e é calculado sobre o tributo pago pela operadora, o que torna a conta menos óbvia do que parece.
Em outras palavras, a forma como o benefício está formalizado passa a ter peso tributário. A FBN já atua junto aos RHs na leitura das convenções coletivas e pode mapear, junto com o seu contador, se vale a pena estruturar o plano de saúde nesse formato. O detalhamento por regime está no artigo Plano de saúde empresarial e imposto: o que muda em cada regime tributário.
Terceira frente: reter quem já está e atrair quem falta
Com oito em cada dez empregadores com dificuldade para contratar, perder um bom profissional em 2027 vai custar caro. A vaga demora a ser preenchida, a equipe fica sobrecarregada e o treinamento recomeça do zero.
Nesse cenário, o plano de saúde pesa mais do que muitos gestores imaginam. Um levantamento da ABRH com 700 empresas de Santa Catarina apontou o plano como o principal benefício na avaliação de uma proposta de trabalho, com 66% de relevância para os colaboradores. Em pesquisa nacional da Serasa Experian com gestores de benefícios, plano de saúde, telemedicina e odontológico aparecem no topo das preferências dos profissionais, ao lado do vale-refeição e alimentação.
O caminho passa por um benefício bem desenhado, sem precisar ser o plano mais caro do mercado, que funcione quando o colaborador precisa e que caiba no orçamento sem sustos a cada renovação. Um pacote em camadas, com saúde, odontológico e seguro de vida em grupo, costuma ter custo menor do que se imagina e um impacto grande na decisão de ficar ou aceitar uma proposta. Explicamos como montar esse pacote em Plano de saúde e retenção em empresas pequenas: como cuidar do time sem estourar o orçamento.
Um roteiro para usar novembro e dezembro a seu favor
O fim do ano é o momento em que o orçamento de 2027 ganha forma. Antes de fechar os números, vale reservar tempo para alguns passos:
- Separe o contrato do plano de saúde, as três últimas faturas e o histórico dos reajustes recebidos.
- Confira a data de aniversário do contrato e quanto tempo falta para a próxima renovação.
- Peça uma análise do contrato à FBN e conheça alternativas reais para o seu grupo.
- Converse com o seu contador sobre o regime tributário de 2027 e sobre o tratamento do plano de saúde nesse regime.
- Verifique o que a convenção coletiva da sua categoria diz sobre o benefício.
- Ouça a equipe: o que o time mais valoriza no pacote atual e o que gostaria de ter.
Como a FBN ajuda a sua empresa a atravessar 2027
Há 30 anos a FBN acompanha empresários em diferentes ciclos da economia, e o que esse tempo ensina é que as empresas que atravessam bem os anos difíceis são as que se organizam antes. Hoje são mais de 1.200 empresas protegidas em 22 estados e mais de 260 cidades.
Na gestão de benefícios, a FBN atende contratos de 3 a 200 vidas com uma análise criteriosa do contrato atual, busca de alternativas no mercado e acompanhamento contínuo. Cada empresa cliente conta com um portal de movimentações exclusivo, gerido por um time de especialistas, que tira do RH o peso operacional de inclusões, exclusões e conferências de fatura.
O próximo ano vai exigir mais de quem empreende. Revisar agora o plano de saúde é uma forma concreta de entrar em 2027 com custo sob controle, um benefício que segura a equipe e menos surpresas no caminho.
Quer saber quanto o contrato atual da sua empresa pode render de economia em 2027? Solicite a análise do plano de saúde da sua empresa ou, se preferir, fale com a FBN pelo WhatsApp (11) 97065-8718.
Fontes consultadas
- TSE: anúncio do resultado do 2º turno das Eleições 2026
- Forbes Brasil: Boletim Focus de 19/10/2026
- Agência Brasil via CQCS: reajuste médio dos planos coletivos segundo a ANS
- Jornal de Brasília: Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026 (ManpowerGroup)
- O Povo: CCJ do Senado aprova a PEC do fim da escala 6×1
- BBC News Brasil via O Povo: pressões a favor e contra o fim da escala 6×1 e a estimativa da CNI
- Pesquisa ABRH-SC sobre plano de saúde na atração e retenção
- Serasa Experian: benefícios e satisfação dos profissionais
- Conjur via Portal CPA: LC 214/2025, crédito de IBS e CBS e negociação coletiva
- Portal da Reforma Tributária: mudanças da LC 227/2026 nos benefícios a empregados

